domingo, 25 de dezembro de 2011

Entorpecido



Flor que se abre
Eu imploro, por favor me diga
Por que as pessoas brigam
E machucam umas as outras?

Valente flor que se abre
O que você vê ai do seu campo?
Por que as pessoas não conseguem
Perdoar umas as outras?

A chuva passou
E trouxe tons azuis
Sozinha agora
Você tremeu
Diante de mim
Sem dizer uma palavra

Quando seus amigos começam a murcharem a sua volta
No que você pensa?
Com suas folhas incapazes de falar,
Como você transmite amor?

O sol do verão raiou
O vento soprou
Os dois se misturaram
Eu cantarei,
Provando que você viveu
Por aqueles que não tem nome

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Década


Já fazem 10 anos que conheci aquele garoto...

Eu havia abandonado o lugar onde nasci, estava vagando sem rumo, visitando lugares nunca antes pensados por mim. Observando, analisando, aprendendo. Nunca tive oportunidade de aprender sozinho, experiência incrível... Onde eu vinha o conhecimento era detido por apenas alguns, que repassavam apenas o que era necessário para que tudo funcionasse em harmonia. Harmonia... Lá a harmonia era perfeita. Sem perturbações, sem problemas, sem erros. Tudo perfeito, pois tudo era previsível, controlável.

Aquele garoto estava voltando do colégio. Era último dia de aula, agora ele estava de férias. A sua alma irradiava algo incomum, algo que eu nunca tinha visto antes. Não era bom, não era ruim, era apenas desconhecido por mim. Eu sempre fui bom em olhar a alma das pessoas, em poder descrevê-las perfeitamente, e a alma daquele garoto parecia apenas uma página em branco, cheia de potencial. Na verdade cinza. Eu podia ver todo o potencial, mas também via que já estava completamente esgotada. Decidi segui-lo.

No caminho para casa aquela alma se apagou. O corpo do garoto ainda estava vivo, ele caminhava normalmente, mas a alma simplesmente apagou. A alma ainda estava lá, fornecendo energia para o corpo, mas estava apagada. Eu já vi almas que continuaram acesas muito tempo depois de deixar o corpo, mas essa apagou ainda dentro do corpo. Continuei acompanhando o garoto.

O dia se passou normal. Durante a noite ele foi até o quintal de casa ver a lua, que não achou, era lua nova. O fiquei observando por algum tempo, ele fechou os olhos e começou a falar algo, parecia uma prece. Ele olhou na minha direção, como se pudesse me ver, e fez uma promessa. Sua alma desapareceu, eu não consegui entender aquilo, mas segurei o seu corpo nos braços, e então vi sua alma ao meu lado, olhando para o seu corpo. Eu prometi que garantiria que ele cumprisse a promessa.

O primeiro ano foi difícil, muitas complicações, muitas rejeições. O corpo dele não me aceitava como nova alma. Tive que abrir mão das minhas asas para conseguir estabilidade. Mas com o passar do tempo foi ficando mais fácil. Com o tempo eu já estava habituado àquele corpo e reciprocamente o corpo habituado a mim. Pude então aprender muitas coisas impossíveis no meu antigo mundo, experimentar muitas sensações limitadas aos humanos.

Mas a promessa continua. Continuarei correndo, sorrindo, aprendendo e sonhando... Até nos encontrarmos novamente, cuide-se, meu amigo...